Jovens em início de carreira devem resistir às tentações do consumo e criar o quanto antes o hábito de poupar dinheiro
Logo que saem da universidade, ou ainda quando são efetivados durante a faculdade, jovens que acabam de conseguir o primeiro emprego geralmente não estão acostumados a lidar com as próprias contas, já que, até então, viveram com a renda dos pais ou familiares. Os primeiros salários darão aos novos profissionais a oportunidade de realizar alguns sonhos de consumo antes inalcançáveis. Então surge o perigo de exagerar nas compras parceladas e nas dívidas. “Para consumir como rico, primeiramente é preciso produzir como rico”, diz o especialista em investimentos Richard Rytenband, da consultoria Timos.
Para o professor de Economia, Ricardo Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, a melhor tática é começar a fazer o planejamento financeiro desde o primeiro salário. Ainda que estagiários, trainees, aprendizes e pessoas em início de carreira geralmente recebam remunerações baixas, é importante resistir às tentações do consumo e criar o hábito de separar ao menos uma parte do dinheiro para o futuro. Embora o “poupar” desanime – pois despesas essenciais corroem grande parte do salário – é preciso ficar esperto e cuidar do dinheiro.
Teixeira aconselha os jovens a investir na caderneta de poupança no mínimo 10% do salário a cada mês. “Pode parecer pouco, mas devagar isso pode se tornar muito”, diz. Por ser um investimento de baixíssimo risco, com regras bem simples, isento de Imposto de Renda, sem taxas de administração e com a possibilidade de resgate dos recursos a qualquer momento, a poupança é bastante indicada a jovens em início de carreira.
Na hora de poupar, falar é sempre mais fácil do que fazer. Muitas vezes, porém, as pessoas fracassam simplesmente pela falta de controle. Comece anotando em um caderninho todas as despesas. Separe-as em dois grupos: as que são extremamente necessárias e as que são desejos que não precisam ser realizados agora. Procure tirar todos os meses uma porção do dinheiro do segundo grupo para a poupança.
Crédito
Agindo com responsabilidade, não haverá problemas em fazer algumas compras parceladas ou tomar dívidas para realizar sonhos rapidamente. Teixeira explica que o crédito pode ser muito vantajoso desde que seja usado corretamente.
O cartão de crédito também pode ser um aliado. Sempre use o histórico de consumo disponível na fatura para reavaliar a necessidade dos bens comprados. Gaste apenas de acordo com a própria renda – e não veja o limite do cartão como uma renda complementar.
“Mesmo sabendo que o salário vai ser depositado em sua conta, é bom gastar só o que está lá. Empresas tem dificuldades e podem facilmente atrasar salários”, alerta o professor Teixeira, lembrando que atrasos nos pagamentos de faturas de cartões, por exemplo, geram altas multas.
Rytenband lembra o caso do “Crédito Bom”, muito utilizado por empresas para alcançar mais lucros e que no caso das pessoas, também sendo usado com inteligência faz elas mais ricas do que se não tivessem recorrido a ele. “O crédito só se torna nocivo por culpa das próprias pessoas”, finaliza.
Fonte: InfoMoney

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